Introdução.
O trabalho batista no Brasil começou debaixo de oração. Os missionários, ajoelhados sobre o mapa do Brasil, num hotel na cidade mineira de Barbacena, buscaram do céu a direção divina, quando finalmente decidiram estabelecer em Salvador, no Estado da Bahia¹ , a Primeira Igreja Batista do Brasil com o fim de levar aos brasileiros o evangelho do Senhor Jesus.

Os anos que se seguiram a essa decisão foram de muitos frutos para a causa batista em nossa nação. Novos campos foram abertos no Rio de Janeiro, Maceió e Recife, organizou-se uma editora, foi lançado O Jornal Batista, criou-se um colégio e um seminário e o número de crentes crescia a cada dia; tudo isso indicando que aquele pequeno trabalho iniciado no solo baiano estava no caminho certo.

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porta fechada

Embora tenha muita vontade de fazê-lo, não vou discutir a legitimidade dos projetos de lei aprovados durante a pandemia para que as igrejas permaneçam abertas, imunes aos decretos de governadores e prefeitos para restrição de atividades econômicas e sociais. Já que, por iniciativa de parlamentares evangélicos, eles foram sancionados e estão em vigor, me limitarei a sugerir ações que deem sentido ao adjetivo “essencial”.
Se o culto público é uma atividade essencial, que ele promova...

 

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JUNTOS NA SANTIFICAÇÃO

...à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos com todos os que em todos os lugares invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.  1Co 1.2.

Quem conhece o conteúdo da carta que Paulo endereçou aos cristãos de Corinto talvez estranhe que ele os tenha saudado como: santificados. Partidarismo, indisciplina, controvérsias, discriminação... a lista de atitudes censuráveis não é pequena. Mesmo assim, eles eram santificados e chamados para ser santos.

A santificação, inicialmente, tem a ver com a inserção em Cristo Jesus. Quem está em Cristo é separado. Quem recebeu o selo (a marca) do Espírito é dele. Tal condição o diferencia dos que não reconhecem o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Arrependimento, fé, confissão, purificação, adoção, regeneração... Tanta coisa acontece simultaneamente na vida de alguém que se encontra com Cristo, condensadas no conceito de santificação.

O apóstolo também entendia a santidade como processo iniciado na conversão do indivíduo a Cristo, desenvolvido pela ação contínua do Espírito Santo na comunidade de fé, em harmonia com a ação de Deus em toda a cristandade: todos que em todos os lugares invocam o nome.

A santidade também é uma vocação, um chamado. Mas não exclusivo ou individual. A igreja, como corpo de Cristo, manifesta em toda a terra a glória, a justiça, a graça, o poder, todos os atributos e bênçãos que estão disponíveis em Jesus. Sal da terra e luz do mundo são metáforas associadas ao caráter santo que a igreja manifesta a humanidade que se degrada por estar nas trevas da ignorância. A igreja santifica o mundo da mesma forma que a mulher santa santifica o marido incrédulo, ou o marido crente santifica a esposa descrente (1Co 7.14).

A percepção individualista da santidade gera arrogância, soberba, sectarismo. Quem se isola em esforço exclusivista de santidade, cedo ou tarde cairá em legalismo ou esgotamento. A vocação para a santidade pertence à igreja, o corpo de Cristo, formado por gente de diferentes etnias e nações, falantes de diversas línguas e dialetos, expressando-se em épocas e lugares distintos com diversidade de costumes, valores e cultura. A santidade nos faz um patrimônio comum do Senhor da igreja.

Como disse Paulo: Senhor deles e nosso.

Somos todos dele. Por ele. Para ele. Estamos nele.

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JUNTOS NA EVANGELIZAÇÃO

Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho. É por ele que estou sofrendo até algemas como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada. 2Tm 2.8,9 NAA.

Em tempo de isolamento social e ausência de cultos públicos nos templos, o culto da igreja continua existindo toda vez que você oferece a Deus sua oração e seu louvor.

Em tempo de isolamento social e ausência de pregações nos púlpitos, o evangelho é proclamado toda vez que você dá testemunho da pessoa e obra de Jesus Cristo, partilhando sua experiência de salvação.

Em tempo de isolamento social e ausência das orações públicas (geralmente protocolares), você pode orar em casa com os seus, fazer o papel do intercessor, comprometido com as pessoas, atento e solidário nas suas necessidades.

Em tempo de isolamento social e ausência de apelos no final do culto para aceitar a Jesus, você pode fazer a obra do evangelista. Anuncie a Jesus Cristo, que morreu pelos pecados da humanidade, ressuscitou ao terceiro dia, batiza com o Espírito Santo a todo que pede e voltará para buscar sua igreja.

Em tempo de isolamento social, em que muitos podem se sentir algemados, limitados no direito de ir e vir, impedidos de abraçar pessoas que ama ou frequentar lugares que gosta, os verdadeiros cristãos estão atentos à oportunidade de amar, servir, abençoar, acolher, ajudar, socorrer, ouvir, falar, orientar, proclamar, anunciar, contribuir, distribuir, evangelizar, por que a palavra de Deus não está algemada.

Você não está só. Estamos juntos na evangelização.

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JUNTOS NA EDIFICAÇÃO

A primeira associação com as narrativas bíblicas seria a história de Neemias e a reconstrução dos muros de Jerusalém. Uma grande tarefa, realizada em poucos dias, sob a liderança de alguém comprometido, dedicado e capaz de motivar pessoas. Juntos na edificação poderia soar um convite a nos unirmos e fazermos um grande muro ao redor do povo santo, que mora numa cidade santa... Mas aí surge o problema. Muros separam, isolam. Os alemães celebram a queda do muro de Berlim, mas hoje se constrói um muro para separar judeus de palestinos; se constrói outro muro para barrar a entrada de imigrantes latinos no lado mais rico da América; se constroem cercas e barricadas para impedir a entrada de sírios, etíopes, eritreus e outros afligidos na Europa.

Ainda pensando em Jerusalém, mas, não mais nos seus muros. Houve um templo construído lá, imponente e grandioso. Obra realizada em 46 anos. Jesus profetizou seu desmonte pedra por pedra. Alguns dos que ouviram Jesus veriam isso. Seria naquela geração. No ano 70 o templo foi demolido. Destruído. Desfeito. Reduzido a escombros.

O que podemos construir juntos que seja melhor que muros e melhor que templos? Que tipo de edificação, nós cristãos, somos convidados a fazer? Jesus disse algo sobre isso... “Estou edificando a minha igreja”. Isso mesmo... Estamos edificando a igreja, não um edifício. É gente, não pedra. É povo, não paredes. Pensemos:

O fundamento é Jesus, o verbo encarnado, o Filho do Homem (também Filho de Deus). Ele escolheu algumas pessoas para serem testemunhas de sua vida e obra, e principalmente da sua morte e ressurreição, a fim de propagar a boa nova de salvação. Sobre esse fundamento, Jesus e os apóstolos, vão se sobrepondo outras pedras/pessoas, com a amálgama do Espírito, que lhe infunde amor. Eles compartilham a mesma fé, a mesma esperança. Pedro, o líder do conselho apostólico definiu bem: Também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo (1Pe 2.5).

Não fazemos muros. Não fazemos prédios. Edificamos pessoas. Construímos gente, na individualidade e na coletividade. Cada um de nós cresce, frutifica, se forma e modela inspirado em Jesus Cristo. Simultaneamente, nos agrupamos, nos interligamos e juntos crescemos, frutificamos, nos modelamos como corpo de Cristo, encarnando a palavra e o poder dele, que é Senhor de tudo e de todos. Somos um edifício/árvore, um prédio/povo, somos igreja/corpo, somos metáforas do Cristo que vive em cada um de nós, mas é o mesmo em todos nós.

“Juntos na edificação” é um convite a entendermos a unidade da igreja como corpo vivo de Cristo. É também um convite a desfazermos as muralhas e prédios suntuosos que nos separam em guetos culturais, linguísticos, ideológicos e outros, utilizando suas ruínas para aterrarmos os pântanos, nivelarmos o terreno, pavimentarmos estradas que nos permitam chegar mais perto uns dos outros.

Não somos gente amedrontada, cercada de inimigos, construindo muros para se proteger. Não nos postamos inertes e aguardamos que o mundo venha até nós. Vivemos no Reino de Jesus Cristo, nos dias do Espírito sendo derramado sobre toda carne. Somos pedras vivas, e pedras que rolam não criam limo.

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doveNa recente história política de nosso país, não se viu um envolvimento político tão intenso dos simpatizantes ou adeptos de uma ou de outra candidatura presidencial. Um clima de enfrentamento tem se instalado em nosso país, levando a expressões de ódio e de violência que nos preocupam, como Aliança Cristã Evangélica, e nos levam a conclamar a este país por paz e uma civilidade construtiva que reconhece o espaço de todos nesta nação. Como evangélicos nos identificamos como seguidores do “Príncipe da paz”, que nos convida a sermos pacificadores e promotores da paz de Jesus.

Há, em setores de nossa sociedade e inclusive de nossas igrejas, uma expectativa de que, com a eleição de uma pessoa e sua instalação como presidente da República no início de janeiro de 2019, toda a situação de um país inteiro mudará a partir daí. De um lado, profetiza-se que se determinado candidato vencer uma catástrofe apocalíptica se instalará. De outro, se preconiza que com a vitória do seu eleito uma espécie de paraíso se instalará na nação. A corrupção será extirpada, a segurança será ampla, a moralidade restaurada e a justiça e a paz serão estabelecidas. É, de fato, uma grande ilusão pressupor que a vitória de A ou B fará os profundos e gigantescos problemas da nação desaparecerem.

Devemos lembrar, por exemplo, que a corrupção é um problema endêmico em nossa nação e não está localizada apenas em Brasília. Os nossos problemas estruturais são profundos e carecem de uma profunda reforma; e levarão anos para serem vencidos e superados. Nenhum presidente poderá, isoladamente, resolver todas essas questões, e nem será através de decretos e medidas provisórias que isso acontecerá. O jogo político, no seu melhor sentido democrático, exige diálogo entre os diferentes poderes, e deve ser capaz de captar e incorporar os anseios legítimos de toda uma sociedade. Além disso, é necessária a criação de uma cultura de paz, de diálogo, de fraternidade, de solidariedade; e para isso cremos que a fé cristã oferece experiências e propostas fundamentais rumo à construção de um país mais justo, mais igualitário, mais verdadeiro e mais cuidadoso com os seus cidadãos.

O envolvimento que se observa nas redes sociais, o empenho quase fanatizado que se manifesta, precisa ser transformado em ações práticas de conciliação e encontro; e para isso não podemos esperar o dia 28 de outubro, que é o dia da eleição em segundo turno. É preciso começar já. É preciso mergulhar na construção desta experiência de respeito ao outro, cuidado com a veracidade dos fatos e busca de informações seguras. Nenhuma estratégia eleitoral justifica a propagação de mentiras e boatos e a instalação da cultura do medo. Cidadania responsável não pode ficar à mercê de notícias rápidas, rasteiras e agressivas veiculadas nas redes sociais. Não podemos esperar mudanças significativas se o nosso ardor cívico desejar a aniquilação do outro e a instalação de uma convivência bruta que não respeita o fato de que, como seres humanos, somos todos criados à imagem e semelhança de Deus.

Seja qual for o seu candidato, não podemos esquecer que não há, para o cristão, lealdades absolutas e irrestritas aqui entre nós. Fidelidade absoluta e inquestionável se rende somente a Cristo, nosso único Senhor, e ao seu Reino. As demais lealdades serão sempre provisórias e criticáveis ante os acontecimentos dos fatos no desenrolar da história. As nossas lealdades estão sempre sujeitas ao crivo dos valores do Reino expressos na Palavra. Qualquer coisa além disso é idolatria.

Como Aliança Cristã Evangélica Brasileira, convocamos os brasileiros que se chamam cristãos a:

- Orar pela nossa nação, para que o Senhor tenha misericórdia e nos ilumine a todos quanto à gravidade dessa hora e a sensibilidade da nossa própria experiência democrática;
- Ter em conta a nossa dupla cidadania, compreendendo a responsabilidade do exercício cívico e cidadão, por ocasião do exercício do voto democrático, sem perder de vista a cidadania do Reino de Deus, que nos é dada pela sua graça;
- Lembrar que os desafios continuam após 28 de outubro e que a igreja de Jesus tem um papel importante para o fortalecimento de uma cultura de paz, de entendimento e de diálogos voltados à construção de um Brasil mais justo, menos desigual e menos violento, assim como de respeito ao outro e de valorização da vida do próximo.

“Busquem a prosperidade da cidade e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela.”
(Jeremias 29.7)


Brasil, 16 de outubro de 2018

Aliança Cristã Evangélica Brasileira, por seu Conselho Coordenador

fonte: http://www.aliancaevangelica.org.br/recursos/declaracoes/394-manifesto-da-alianca-sobre-nosso-momento-politico