Comprometimento

Nossa vida é pautada por valores e interesses. Dia após dia, o que molda nosso comportamento, nossas palavras e nossas ações são os nossos objetivos de vida. É certo que os objetivos mudam, as situações mudam, as estações da vida mudam, mas algumas coisas não mudam — ou não deveriam mudar —, como os nossos valores morais, nossas intenções de promover o bem e o nosso interesse em fazer com que esta vida terrena tenha sentido.

Por outro lado, podemos afirmar que temos visto uma geração sem compromisso: pessoas que não gostam de pagar o devido preço para conquistar algo; casamentos frágeis, pois, se alguma coisa não dá certo, o divórcio parece uma saída fácil; cuidar da saúde se tornou muito difícil, pois requer muitas renúncias e disciplina — é melhor tomar apenas um medicamento e resolver o que nos incomoda. Os filhos perderam a responsabilidade de honrar e cuidar dos pais, e os pais trocaram o tempo e o dever de uma boa criação por entregar aos filhos um celular ou tablet. Por falta de comprometimento, gerações estão sendo formadas, e o que nos aguarda em um futuro próximo pode ser assustador. 

Mas o evangelho é poder de Deus.

Quando olhamos para o amor do nosso Deus por nós — pessoas injustas, impuras e incapazes de buscá-lo —, percebemos que esse Deus, comprometido com o seu amor, veio nos salvar, resgatar-nos da maldição da lei, da condenação eterna e da ira divina. Isso precisa nos comover e nos levar a viver comprometidos com esse Deus e com a sua mensagem, comprometidos com a salvação que recebemos, cumprindo bem a nossa missão nesta terra: glorificar o santo nome do Senhor.

Olhando para o livro de Filipenses, gostaria de destacar aqui dois versos: um que mostra o comprometimento desse Deus em nos salvar e abençoar, e outro que revela que esse engajamento do Senhor nos incumbe de santos deveres.

Fl 1.6 “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”

O apóstolo Paulo nos mostra que possui uma certeza: o Senhor que nos salvou é capaz de nos sustentar e de nos garantir a salvação eterna. Esse Deus está comprometido em nos aperfeiçoar para Ele mesmo. O Senhor não nos resgata para depois nos abandonar; não nos purifica para depois nos deixar à própria sorte. Ele está empenhado em nos conduzir para o louvor dele mesmo até o dia da revelação plena e exaustiva de Cristo Jesus. Esse comprometimento do Senhor é a nossa grande esperança, a segurança que carregamos e que ninguém pode roubar: a certeza não apenas da companhia do Senhor hoje, mas em todo o tempo e até a eternidade. E isso não depende de nós; é um compromisso do amor dele para consigo mesmo, dispensado a nós.

 Ainda somos inacabados; estamos sendo moldados todos os dias. Todo esse desejo de aperfeiçoamento, crescimento e amadurecimento em Deus vem do próprio Senhor. Ele é quem nos chama, por sua soberana vontade, a uma caminhada eterna e abençoada. No caminho, Ele é quem nos sustenta. Então, se passamos pelos rios, Ele está conosco; se enfrentamos o fogo, Ele não permite que sejamos destruídos; se estivermos em meio aos vales, não temeremos, pois o Senhor está conosco. Os exércitos não podem nos aniquilar, o inferno não prevalecerá contra o povo de Deus, pois o El-Shaddai está comprometido em nos levar à recompensa, ao prêmio da soberana vocação, que é o próprio Cristo. Não há chamado mais especial do que o do Senhor; não há jornada mais feliz e segura do que ter a presença do Espírito Santo; não há galardão maior do que receber o próprio Cristo. E tudo isso se dá porque temos um Deus comprometido com a sua boa obra.

Agora no verso 27 do mesmo capítulo, Paulo diz: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;”

O Deus trino, que se empenhou em separar um povo para si — sua amada igreja —, deseja que essa igreja seja comprometida com a unidade. Se há algo que o Senhor veio estabelecer em meio à sua igreja, é a unidade: primeiro, com a consciência de que o Cordeiro Santo comprou para o nosso Deus homens de todos os povos, raças, línguas, tribos e nações; e, desse ajuntamento de gente, fez-nos um só povo, pois a salvação é para judeus e gentios, escravos e livres, e Cristo é Senhor de todos. Portanto, é nossa responsabilidade vivermos de modo digno de tamanha bênção que recebemos.

Sejamos comprometidos, meus irmãos, com a unidade. O serviço da evangelização pertence a todos nós, assim como o discipulado e o cuidado de uns para com os outros. Fomos chamados para compartilhar nossos bens, ajudar em meio às necessidades, chorar com os que choram e nos alegrar com os que se alegram.

Agora, uma boa pergunta a se fazer é: por que precisamos viver em unidade e nos comprometer com isso? Diante de tantas respostas, posso destacar apenas dois versos de João 17. Primeiro, o versículo 21: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”

Meus queridos irmãos, a nossa aliança de unidade testemunha ao mundo quem é o nosso Jesus, e esse testemunho é o cerne da nossa pregação: Jesus Cristo é Deus!

Já o verso 23 diz assim: “eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”

Jesus ora por uma unidade de amor, por uma identidade comum, porém viva — algo que já foi alcançado, mas que precisa ser aperfeiçoado. É por isso que sempre voltamos a esse tema: faz parte trazer sempre à nossa memória e ao nosso coração que a unidade do povo de Deus demonstraria ao mundo que Jesus foi verdadeiramente enviado pelo próprio Deus. Mas Ele não é um enviado qualquer; Ele é o Filho de Deus, o Messias, o Prometido, o Santo de Israel. Neste verso existe uma amplitude, e essa amplitude é o amor. Não basta sermos unidos; precisamos nos amar e ser um, assim como o Pai ama o Filho e ambos são um.

Esses dois textos nos revelam a seriedade do nosso comprometimento, pois é como se Cristo concedesse ao mundo a permissão de duvidar da sua Pessoa, Missão e Amor, caso não enxerguem em nós que somos um e que a nossa união não se baseia em sentimentos egoístas, como os do mundo, mas no amor sacrificial de Jesus.

 Nosso comprometimento com a unidade é de alma e espírito. Todos juntos lutam lado a lado para pregar o evangelho, mostrar ao mundo nossa fé evangélica e não sermos intimidados pelos adversários. Serão muitos os que lutarão contra nossa união, contra o nosso amor, contra a nossa mensagem e contra a nossa fé; mas a luta deles se torna perdição para eles mesmos, enquanto a nossa resistência em amor se torna salvação para nós.

 Lute, meu irmão e minha irmã, pela unidade da sua casa. Comprometa-se a viver em um só espírito pela sua igreja. Sejamos aqueles que se levantam para viver e honrar a história dos nossos antepassados, que entregaram a própria vida pelo estabelecimento e fortalecimento de uma denominação.

 

 Finalizo este artigo pedindo a todos que se empenhem pela nossa unidade denominacional em amor. Precisamos estar sempre resgatando nossos valores, enfrentando as modas que desejam penetrar sorrateiramente em nossas igrejas, olhando sempre para o nosso Manual Batista Nacional e nos fortalecendo naquilo que nos dirige. Não somos um povo sem identidade, mas, por vezes, somos um povo que se deixa descaracterizar facilmente. Saibamos, então, usar a nossa liberdade batista para nos encorajar ainda mais a sermos igrejas bíblicas, cristocêntricas, cheias do poder do Espírito Santo, e que o nosso comprometimento seja com todo o povo de Deus remido nesta terra, mostrando que o nosso maior interesse é testemunhar quem é o nosso Deus.

Que o Senhor os abençoe.

Pr. Osvaldo Júnior
IBN Cristo Rei