JUNTOS NA EDIFICAÇÃO

A primeira associação com as narrativas bíblicas seria a história de Neemias e a reconstrução dos muros de Jerusalém. Uma grande tarefa, realizada em poucos dias, sob a liderança de alguém comprometido, dedicado e capaz de motivar pessoas. Juntos na edificação poderia soar um convite a nos unirmos e fazermos um grande muro ao redor do povo santo, que mora numa cidade santa... Mas aí surge o problema. Muros separam, isolam. Os alemães celebram a queda do muro de Berlim, mas hoje se constrói um muro para separar judeus de palestinos; se constrói outro muro para barrar a entrada de imigrantes latinos no lado mais rico da América; se constroem cercas e barricadas para impedir a entrada de sírios, etíopes, eritreus e outros afligidos na Europa.

Ainda pensando em Jerusalém, mas, não mais nos seus muros. Houve um templo construído lá, imponente e grandioso. Obra realizada em 46 anos. Jesus profetizou seu desmonte pedra por pedra. Alguns dos que ouviram Jesus veriam isso. Seria naquela geração. No ano 70 o templo foi demolido. Destruído. Desfeito. Reduzido a escombros.

O que podemos construir juntos que seja melhor que muros e melhor que templos? Que tipo de edificação, nós cristãos, somos convidados a fazer? Jesus disse algo sobre isso... “Estou edificando a minha igreja”. Isso mesmo... Estamos edificando a igreja, não um edifício. É gente, não pedra. É povo, não paredes. Pensemos:

O fundamento é Jesus, o verbo encarnado, o Filho do Homem (também Filho de Deus). Ele escolheu algumas pessoas para serem testemunhas de sua vida e obra, e principalmente da sua morte e ressurreição, a fim de propagar a boa nova de salvação. Sobre esse fundamento, Jesus e os apóstolos, vão se sobrepondo outras pedras/pessoas, com a amálgama do Espírito, que lhe infunde amor. Eles compartilham a mesma fé, a mesma esperança. Pedro, o líder do conselho apostólico definiu bem: Também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo (1Pe 2.5).

Não fazemos muros. Não fazemos prédios. Edificamos pessoas. Construímos gente, na individualidade e na coletividade. Cada um de nós cresce, frutifica, se forma e modela inspirado em Jesus Cristo. Simultaneamente, nos agrupamos, nos interligamos e juntos crescemos, frutificamos, nos modelamos como corpo de Cristo, encarnando a palavra e o poder dele, que é Senhor de tudo e de todos. Somos um edifício/árvore, um prédio/povo, somos igreja/corpo, somos metáforas do Cristo que vive em cada um de nós, mas é o mesmo em todos nós.

“Juntos na edificação” é um convite a entendermos a unidade da igreja como corpo vivo de Cristo. É também um convite a desfazermos as muralhas e prédios suntuosos que nos separam em guetos culturais, linguísticos, ideológicos e outros, utilizando suas ruínas para aterrarmos os pântanos, nivelarmos o terreno, pavimentarmos estradas que nos permitam chegar mais perto uns dos outros.

Não somos gente amedrontada, cercada de inimigos, construindo muros para se proteger. Não nos postamos inertes e aguardamos que o mundo venha até nós. Vivemos no Reino de Jesus Cristo, nos dias do Espírito sendo derramado sobre toda carne. Somos pedras vivas, e pedras que rolam não criam limo.