Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: "Vamos para o campo". Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou. Então o Senhor perguntou a Caim: "Onde está seu irmão Abel? " Respondeu ele: "Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?" (Gênesis 4:8,9)

Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência. Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta, Deus disse a Noé: "Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13).

Na introdução do relato bíblico sobre o dilúvio, o autor afirma que “a terra estava cheia de violência”. Esta afirmação parece ser parte do clímax da narração justamente das origens da humanidade. Parece ser a justificativa para Deus decidir enviar o dilúvio como manifestação de juízo.

Segundo vários especialistas em Bíblia, os relatos do Gênesis não são simples histórias de fatos isolados que aconteceram na primeira família humana. Na verdade, o Gênesis nos oferece uma interpretação teológica sobre as origens e o sentido da criação e da história. No relato da criação está contido a origem da vida e da morte, da violência e do amor, da fidelidade e da traição. Desse modo, para além da narrativa está o significado e relevância para a fé na tradição hebraico-cristã.

Para o especialista em Antigo Testamento, José Severino Croatto, o Gênesis é antes de tudo uma narrativa com sentido antropológico, que nos remonta às origens, para buscar o sentido, orientar-nos, explorar possibilidades, conectar-nos com o absoluto. Cada relato está configurado para dizer algo sobre o presente, não sobre o passado. Em cada relato existem símbolos que guardam grandes verdades.

Diante da grande violência que vivemos atualmente nas cidades brasileiras é importante voltar os olhos para o relato das origens de maneira que busquemos caminhos para superar tanta violência assim como outros irmãos e irmãs fizeram no passado.

A região do grande Jangurussu, periferia da cidade de Fortaleza, Ceará, registrou quase 30 assassinatos em um único final de semana, dias 26 e 27 de janeiro. Em 2017, no Brasil, foram quase 60 mil assassinatos, a maioria de jovens e negros. Em Fortaleza foi uma pessoa a cada hora entre sexta e sábado. Apesar dos números serem chocantes precisamos pensar que cada vida que se perde deixa parentes, irmãos e irmãs, uma mãe e um pai, avós, companheiro ou companheira, além de amigos. Por traz de cada vida que se vai existe um nome, um sonho interrompido. Não podemos mais continuar inertes enquanto as vidas de nossos jovens se vão. Não podemos admitir o discurso dos governantes que afirma serem casos isolados e brigas de facções. Como igreja precisamos orar em favor da paz, mas também cobrar das autoridades medidas que coloquem fim à violência. Queremos convocar a igreja brasileira a se posicionar do lado da vida assim como Jesus sempre se posicionou. Jesus disse: “Felizes os que promovem a paz”. Trabalhar pela paz em nossas cidades e em especial em Fortaleza nesse momento é um imperativo como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo.

CONVIDAMOS À ORAÇÃO

  • Pelas famílias que perderam seus entes queridos, maioria de mulheres e jovens.
  • Pelas autoridades para que tratem este fenômeno da violência com a devida seriedade e em diálogo com os movimentos sociais locais.
  • Pelas igrejas, tanto pelas situadas onde ocorreram estas violências, como pelas de toda grande Fortaleza, para que haja um despertamento das lideranças por orações e por ações pela paz e pela não violência.
  • Pelas pessoas que vivem nessas comunidades expostas à violência, geralmente apenas por serem pobres.

i Welinton Pereira da Silva – pastor metodista em Brasília, Diretor de Relações Institucionais e Advocacy da Visão Mundial e Assessor de Advocacy da Aliança Cristã Evangélica Brasileira.

Estamos vivendo um momento singular em nossa história. Nunca antes vimos um movimento migratório tão grande. São milhares e milhares de pessoas que todos os dias deixam suas casas, suas famílias, suas vidas e histórias para trás, fugindo muitas vezes de conflitos civis, guerras e também de perseguições religiosas.

Atualmente, há mais de 65 milhões de pessoas que foram forçadas a deixar suas casas. A cada semana, cerca de 2.000 pessoas chegam na Europa vindas especialmente do norte da África e do Oriente Médio. Somente nas três primeiras semanas de outubro do ano passado, 3.000 migrantes desembarcaram na Itália vindos da Líbia.

O livro de Deuteronômio nos fala sobre os imigrantes. No capítulo 10, dos versos 18 ao 20, vemos o autor dizendo ao povo de Israel que eles deveriam amar e ajudar os estrangeiros.
Deus nos chama a amar o estrangeiro. Ele ama e defende a causa do estrangeiro, assim como Ele faz a viúva e a órfã. Ele ordenou ao povo de Israel que amassem o estrangeiro que vivia entre eles porque eles mesmos já haviam sido estrangeiros no Egito.

Deus sempre amou e teve uma atenção especial com o estrangeiro, de fato, a maioria das pessoas de destaque no antigo testamento eram pessoas que deixaram sua terra natal para viver em outro lugar. Numa pesquisa rápida veremos pessoas que deixaram sua pátria pelo comando de Deus ou foram perseguidas:

Adão, Eva, Caim, Noé, Sem, Cam, Jafé, Abraão, Sara, Ló, Agar, Ismael, Isaque, Rebeca, Jacó, José e os irmãos de José. E isso apenas em Gênesis. A Bíblia está cheia de pessoas que deixaram sua pátria e Deus sempre os amou.

Na maioria das vezes, na Bíblia, quando fala sobre cuidar das viúvas e dos órfãos, também fala sobre o estrangeiro. Eles fazem parte da lista dos desfavorecidos que o Senhor ordenou a Israel cuidar.

Israel que foi criada por Deus para seu povo e onde ele deveria reinar, foi criada para ser um lugar onde o estrangeiro deveria ser acolhido. Nos dias de hoje nós chamamos esses estrangeiros de imigrantes, refugiados ou ainda de diáspora, mas a responsabilidade do povo de Deus em cuidar, apoiar e acolher continua sendo bíblica e nós como igreja de Cristo temos essa tarefa.

Atualmente nossos imigrantes são classificados em pelo menos 3 ramos principais:
Imigrantes financeiros – Aqueles que saem para o mercado de trabalho em busca de uma condição de vida melhor para si e para suas famílias. Eles podem ser inclusive grandes executivos que periodicamente são enviados por suas empresas para diferentes trabalhos em diferentes regiões.
Refugiados e requerentes de asilo – São os quais temos mais informações. Eles estão saindo de seus países por conta de conflitos e/ou perseguições e buscam lugares onde podem recomeçar suas vidas.
Estudantes internacionais – Este é um grupo cada vez mais crescente em todo o mundo, incluindo no Brasil. Com a globalização, o número de pessoas buscando o aperfeiçoamento acadêmico em diferentes países aumenta a cada dia.

Em nossa área ministerial com africanos, temos percebido um aumento significativo de imigrantes de várias nações africanas somando os números da atual crise migratória e temos nos sentido impulsionados a ajudar os necessitados e a compartilhar o Evangelho com eles enquanto recomeçam no seus novos lares.

Os especialistas dizem que esse tipo de migração não acontece desde o final da Segunda Guerra Mundial e deverá continuar nos próximos 40 anos
Outra estatística interessante é de que a África é o único continente que está experimentando crescimento populacional. Em 2050, 25% da população mundial será nascida na África e isso com certeza fará com que o movimento migratório para outras partes do mundo aumente ainda mais.

Parte da nossa estratégia de alcance e ajuda à estas pessoas é feita a partir de uma ação muito simples. A primeira ação que temos é buscar de uma pessoa de paz, como nos ensina Lucas (10.6), em seguida queremos ouvir suas histórias e depois queremos contar nossas histórias, incluindo a de como nos encontramos com Jesus. E por fim queremos contar à eles a história de Deus, de como de Ele os amou ao ponto de dar seu próprio filho para nos salvar.
Com isso, também estamos ajudando em suas necessidades, com consultas médicas, aprendizado de língua, qualificação profissional, entre outros.

Uma das perguntas que as pessoas me fazem é: Como compartilhamos o evangelho com tantas pessoas de países tão diferentes, com diferentes línguas? Nós usamos toda a tecnologia disponível a nosso favor. Usamos aplicativos no celular! Usamos muito o Google tradutor. Usamos um aplicativo chamado Kolo, que tem o filme de Jesus em uma centena de idiomas. Você abre o aplicativo, pesquisa o país de onde eles são e, em seguida, tem o filme sobre a vida de Jesus na língua do seu novo amigo ou amiga.

O Brasil tem sido um dos destinos de muitos imigrantes, e a igreja precisa discutir sobre como podemos aumentar e expandir o trabalho entre a diáspora no Brasil. Em uma pesquisa rápida sobre imigração no Brasil, você perceberá um grande potencial ministerial para a igreja.

Deus está fazendo um trabalho incrível no mundo de hoje. Muitos estrangeiros que estão vindo ao Brasil, não tem acesso ou não conhecem o evangelho de Cristo e precisamos alcançá-los com a palavra de salvação.

Ore para que Deus lhe de a oportunidade de se encontrar com um imigrante, ouvir sua história, contar a eles a sua história de vida e como você conheceu a Cristo, e acima de tudo conte a eles a história de como Deus amou o mundo e a eles ao ponto de entregar seu único filho.

Paulo Feniman
Presidente da AMTB - Associação de Missões Transculturais Brasileira

Fonte: feniman.com.br

msg fim ano

Tempo de renovar a esperança!

Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas;
saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria.

Ml. 4.2

O ano de 2017 está findando, e se fizermos uma retrospectiva profunda, mesmo que ele não tenha sido um dos melhores, certamente encontraremos muitos motivos de louvor, pois o nosso Deus nos tem abençoado com a toda a sorte de bênçãos por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

Que este fim de ano seja marcado por louvor ao nosso Deus em cada uma das nossas celebrações.

As Escrituras nos mostram que os que conhecem a Deus e a sua Palavra não caminham na escuridão e nem na incerteza, mas na convicção firmada naquele que pode mudar os tempos e as estações (Dn. 2.21) e renovar a nossa esperança.

O texto de Malaquias 4.2 revela o poder que há em Deus para fazer nascer um novo tempo sobre aqueles que nele confiam, tempo este, marcado por alegria e liberdade.

Desejamos a todos um fim de ano marcado pelo júbilo resultante da graça de Deus em nossas vidas e que no ano que está por vir, o Sol da Justiça brilhe intensamente sobre todos nós.

Pr. Edmilson Vila Nova
Presidente da CBN

Este artigo, necessariamente, não reflete o pensamento da CBN.

Há muitos anos enquanto liderava uma equipa missionária no sudeste asiático recebemos alguns missionários novos que chegaram com todo aquele entusiasmo natural dos missionários recém chegados e ao mesmo tempo nós que ali estávamos já há algum tempo também éramos contagiados por este entusiasmo. No entanto, um mês após a chegada destes irmãos, um deles teve seu sustento abruptamente cortado por sua igreja, pois um outro pastor havia passado naquela igreja e a convenceu de simplesmente repassar para seu projeto a ajuda missionária que era destina ao novel missionário, agora abandonado no campo. No desejo de ajudar, telefonei ao pastor da igreja que me ouviu em silêncio e simplesmente me disse ao final: "O que está feito, está feito!" Dando-me a impressão de um pastor e igreja irresponsáveis e sem ética ministerial.

Numa outra ocasião, quando fazia parte de uma comissão que coordenava um determinado ministério, sendo eu na ocasião uma das figuras principais naquele movimento, fui procurado por um pastor que desejoso de pertencer a tal comissão ofereceu um determinado valor mensal para o ministério se eu o ajudasse a entrar na coordenação daquele trabalho.

Quando cheguei a Europa para trabalhar, há quase doze anos, ainda mantinha alguns vínculos ministeriais com a Ásia, coisa que fui deixando aos poucos, foi quando um pastor que viu o resultado do nosso trabalho na Ásia me fez a proposta de me desligar da minha igreja enviadora no Brasil, e então eu poderia escolher o país onde morar na Europa e sua igreja assumiria todas as minhas despesas com o acréscimo de outros benefícios desde que eu trabalhasse somente para eles.

Eu poderia continuar aqui contando histórias como estas e outras que revelam o caráter deformado de pastores e igrejas. Se há algo pelo qual um pastor e igreja devem prezar é pela sua ética ministerial. Mas é impressionante a falta desta no meio protestante. A ética tem relação direta com o nosso caráter cristão e revela se estamos de fato seguindo a Cristo, servindo na sua causa ou se servimo-nos a nós mesmos e os nossos interesses.

A Bíblia está repleta de histórias e advertências sobre a nossa responsabilidade de manter nossa ética ministerial como igreja e pastores sem mácula. Mas citarei apenas um verso: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!" (1 Co 11:1). Uma igreja ou pastor que buscar ser um imitador de Cristo desenvolverá uma postura ética acima de qualquer acusação. No entanto, não é isto o que vemos, em todo lado, há sempre alguém preparado para causar escândalo desde que possa tirar alguma vantagem.

Mas entre todos os sem éticas, imorais e vergonhosos os que mais me impressionam são aqueles que agem na surdina, na calada da noite, que sem piedade ao ministério de outro age de maneira a tirar vantagens de alguma forma. Como aqueles que vestidos de uma capa de falsa piedade e falsos camaradas de jugo, utilizam-se de oportunidades para pescar no aquário alheio, roubando com palavras doces as ovelhas de outro. Que acolhe aqueles que levados por satanás buscam denegrir a imagem de homens honestos e com eles compactuam, comem na mesma mesa e juntos tramam a perversidade.

Confesso que este texto é um desabafo, muito mais que um texto para instrução geral, pois já estou cansado de lidar com este tipo de pastores e igrejas. Homens sem piedade, sem ética, sem sentido de respeito e cooperação que buscam de toda forma engordar seus rebanhos as custas do trabalho de outro. Tolos, pensam que por agirem nas trevas ninguém os vê, mas se esquecem que Deus é luz e nele não há trevas alguma. Nos encontros pastorais se esquivam, protagonizam pressa, andam pelos cantos, chegam depois e saem antes para não serem confrontados, na esperança de que sua atitude caia no esquecimento. Miseráveis, esquecem que dão contas a Deus.

Que Deus nos livre destes pastores e destas igrejas, pois imitam muito mais a satanás do que a Cristo.

luis branco

Pr. Luis Alexandre Ribeiro Branco
Missionário da JAMI em Portugal

Este artigo, necessariamente, não reflete o pensamento da CBN.

2

Talvez você ao começar a ler este texto tenha pensado: "Lá vem mais uma carta pedindo oração." Mas não é disto que quero tratar neste pequeno texto, mas da intercessão ao reverso, ou seja, da intercessão feita no campo missionário em seu favor. Isto mesmo, o missionário também ora, e posso garantir-lhe que ora mais e com mais fervor por aqueles que fazem parte da sua realidade missionária.

Vemos isto na Bíblia, Paulo orava por todos aqueles que de uma forma ou de outra participavam do seu ministério missionário. Poderíamos mencionar vários casos, mas iremos mencionar apenas alguns. A intercessão de Paulo pelos filipenses: "Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas." Filipenses 1:4; A intercessão de Paulo pelo colossenses: "Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós." Colossenses 1:3; A intercessão de Paulo pelos tessalonicenses: "Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações." 1 Tessalonicenses 1:2

É uma grande bênção contar com missionários que oram por nós. Muitos atribuem o sucesso do trabalho de Hudson Taylor as intercessões feitas em seu favor por George Müller e seu amigo William Carey. Conheço empresários que atribuem o seu sucesso nos negócios as intercessões feitas por seus amigos missionários. Quando uma família missionária se une em oração em seu favor os céus se abrem. Não é mera falácia, falo por experiência própria. Quando junto com minha família, em especial com minhas filhas pequeninas oramos em favor dos nossos parceiros na causa missionária somos absorvidos por uma grande convicção de que fomos ouvidos.

O missionário não é um pobre coitado do outro lado do mundo a depender da boa vontade de alguns. O missionário é alguém enviado por Deus para a realização da sua obra e seus cuidados materiais, espirituais e emocionais serão supridos pelo próprio Deus que os enviou ao campo. Um dos bens mais preciosos que o missionário possui é a oração. Eu poderia lhe escrever um longa lista de respostas maravilhosas as nossas intercessões, mas o tempo e espaço não permitem.

Escrevo esta breve nota para incentivá-lo a desenvolver amizade com missionários no campo, incentivá-lo a participar dos cuidados deste missionário, partilhar tua vida e necessidades com este missionário, para que você seja um dos seus motivos de intercessão. Eu posso garantir que entrará em uma grande aventura espiritual.

Nas garras do Leão da Tribo de Judá,

luis branco

Pr. Luis Alexandre Ribeiro Branco
Missionário da JAMI em Portugal

justica

“Há tempo para todo propósito debaixo dos céus”, nos diz o texto sagrado dos cristãos. Os mais velhos dirão que já passamos por “vários tempos” neste nosso Brasil. Mas hoje - concordaríamos todos - é um tempo de enorme desarranjo político, tristeza e descrença. Um tempo de profunda crise política, graves desafios econômicos, sérios conflitos ideológicos e uma intolerância social que ameaça o próprio futuro.

Como Aliança Cristã Evangélica, nos solidarizamos com as vítimas deste nosso momento, denunciamos as artimanhas que não desejam reformas profundas e afirmamos todo o esforço possível para que a transparência dos fatos seja buscada e a justiça seja exercida. E oramos para que este nosso tempo convulsionado não seja em vão, mas nos leve a ser uma nação que:

Busque a paz,
Viva a justiça,
Exerça o amor,
Ampare os que sofrem.

Buscamos inspiração e direção nas palavras de um de nossos profetas bíblicos quando ele aponta para o que Deus espera de nós:

pratique a justiça,
ame a fidelidade e
ande humildemente com o seu Deus.

Como Aliança Evangélica, representamos denominações eclesiásticas, organizações, ministérios e líderes de todo o Brasil, sendo pautados por Cristo, sua palavra, buscando ser uma igreja a serviço de Deus no Brasil de hoje. Os valores e princípios que aqui expressamos guiam a nossa própria caminhada e os afirmamos sem nenhum vínculo ou compromisso partidário:

Paz com justiça,
Compromisso ético individual e coletivo,
O serviço ao outro como exercício de cidadania,
Processos decisórios transparentes e respeitadores do outro,
Liberdade com responsabilidade num estado laico.

Reconhecemos que estes princípios e valores precisam ser aplicados e vividos primeiramente por nós mesmos, como cristãos brasileiros, o que nem sempre tem sido o caso. Por isso, lamentamos quando:

  • A fé cristã é colocada a serviço de práticas públicas e políticas espúrias.
  • Nos posicionamos na sociedade em busca de benefícios próprios.
  • Levantamos a nossa voz, na sociedade, de tal maneira que discriminamos ao outro, expressamos belicosidade e usamos instrumentos de poder que são “caciquistas” e “clientelistas”.

Juntos oramos, “tem misericórdia de nós, Senhor!”

Justiça e misericórdia para o Brasil

Solidarizamo-nos com tantos que neste tempo têm perdido o seu emprego, com as crianças que têm ficado sem merenda escolar, os enfermos que têm encontrado as portas dos hospitais fechadas, para citar alguns dos sinais de dor que marcam a nossa hora de crise. Crise esta que requer denúncia de todos os mecanismos de apropriação indevida, do que a Lava Jato é apenas uma pequena amostra.

Afirmamos todo o esforço que se está fazendo, em todos os níveis possíveis, para desvendar mecanismos e estruturas de suborno e de corrupção. Denunciamos a nossa estrutura política que está vergonhosamente podre e tem protagonizado cenas que seriam cômicas se não fossem marcadas por processos decisórios que têm consequências para toda a nação.

Necessitamos urgentemente de uma reforma política reestruturante e que questione os benefícios e os privilégios de todos os poderes republicanos, dialogando com os segmentos da sociedade civil que buscam o bem comum e não apenas os interesses próprios em viciadas e vergonhosas artimanhas de desvio, favorecimento e aparelhamento. Hoje, o que percebemos são mudanças de governo que reproduzem as mesmas práticas políticas espúrias e os mesmos conluios para beneficiar os detentores do poder nas diferentes esferas da república, com tentativas de enfraquecimento dos processos de averiguação dos fatos e assim evitando, quando necessário, a denúncia e a punição dos envolvidos em mecanismos de corrupção.

Advertimos a sociedade do perigo das mudanças superficiais que queiram garantir a manutenção da nossa injusta estrutura. E chamamos a atenção ao risco momentâneo de se buscar um “salvador da pátria” que não tenha compromisso nem com o sistema democrático, nem com a reforma política necessária e nem com os mais pobres e vulneráveis.

Somos o povo da esperança e da oração

Cremos que Deus quer oportunizar um novo tempo para o Brasil e quer inspirar o povo de sua igreja para isto. Expressamos a busca por este novo tempo através da oração que Jesus nos ensinou:

Pai nosso que estás nos céus,
Santificado seja o teu nome.
Venha o teu reino,
Seja feita a tua vontade
Assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje,
E perdoa-nos as nossas dívidas
Assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal,
Pois teu é o reino e o poder e a glória para sempre.
Amém

 

Brasil, 12 de julho de 2016
Aliança Cristã Evangélica Brasileira

fonte: http://www.aliancaevangelica.org.br/news/0038-2016/