• sintese histórica dos batistas nacionais

Síntese Histórica dos Batistas Nacionais

Renovação Espiritual no Brasil foi a repetição do “ fenômeno avivamento”, que não surgiu nem surge num “estalar de dedos”. Houve semeaduras em momentos diversos, aqui e ali, por pessoas movidas pelo Espírito Santo. E, como na Parábola do Semeador, parte da semente caiu na “boa terra”. Terra que estava ressequida, carente de chuvas. Pelas quais o povo orava.

E não foram em vão as orações, as lágrimas derramadas por servos de Deus que sonhavam com um avivamento no Brasil. Sobretudo, pela ação da missionária Rosalee Appleby que, incansável, pregava, escrevia e orava ardentemente pelo derramamento do Espírito nas Igrejas Evangélicas do Brasil. Nem perdidas foram, as visitas ao nosso País e passagem deles por várias Igrejas, de avivalistas de renome como: George Ridout, Raymond Boatright, Edwin Orr, Roy Hession, e pregadores outros, movidos pelo Espírito de Deus.

Muito menos em vão, foram as noites e lágrimas derramadas em vigílias, por irmãos tantos em lugares diversos deste País: Belo Horizonte – com a presença, vezes tantas, da missionária Rosalee, Pr. Munelar Maia, Benedito Vilela, Dr. Elmir Guimarães Maia, Ari Veloso, Antônio Lourenço, José Simões, Joaquim Balbino, jovens estudantes e irmãos outros, em salas de templos, lares, bosques e montes; mas, todos clamando pelo despertamento da Igreja do Senhor no Brasil.

Da mesma forma, na Bahia, onde o ilustre casal Dubois – Prof. Carlos Dubois e Stela Câmara Dubois, diretores do Colégio Taylor-Egídio em Jaguaquara, exerciam forte liderança espiritual. Eis o testemunho do então jovem e futuro pastor, Rosivaldo Araújo:

“Quem conheceu Stela Dubois, conheceu também D. Rosalee; e quem leu os livros de D. Rosalee, conheceu D. Stela. D. Stela fez parceria com D. Rosalee, e foi através de D. Stela que conheci D. Rosalee, por ocasião de um desses acampamentos, no qual o Pr. Valdívio Coelho, homem igualmente avivado e juntamente com o Pr. José Rego, programaram, para logo depois do lanche da tarde, uma reunião de oração pelo culto da noite e acampamento em geral.”

stela duboisStela Dubois

Também no Recife – aquelas vigílias no Horto Florestal, tão bem lembradas por Darci Guilherme, no seu artigo “Saudades sem Saudosismo”, com a participação dele e pioneiros outros, simpatizantes do então Movimento de Renovação Espiritual: pastores Ademar de Sousa Melo, Rosivaldo Araújo, Hélio Vidal, Eclésio Menezes, Enock Mendes, Pedro Andrade, Natalício Martins, Josué Santana.

O desejo de avivamento não era apenas entre batistas, como bem lembra o irmão Genildo Cabral da Silva, do Rio de Janeiro. Nestas vigílias, de clamor por avivamento, havia quase sempre a presença de pessoas de denominações diferentes – éramos “ um em Cristo”.

Continua o irmão Genildo: “A situação espiritual melhorou de tal maneira que as reuniões logo se multiplicavam, não somente no Rio de Janeiro, mas em outros Estados. Um outro aspecto interessante é que aumentaram também as “vigílias” em quase todas as igrejas que iam despertando-se. Qualquer feriado previsto era motivo de programação de retiros espirituais. Oportunidades aproveitadas na busca da presença de Deus”.

E, já na década de sessenta, os ventos do Espírito começaram a soprar fortes; uma sede de avivamento fazia-se sentir nos corações de pessoas espalhadas por igrejas diversas do País. Principalmente em Belo Horizonte, onde a presença benfazeja da Missionária Rosalee contagiava os que com ela conviviam, acendendo-lhes nos corações o fogo do avivamento. E, talvez, por isso mesmo, a arrancada de Renovação Espiritual se deu na Capital Mineira.

D. Rosalee fez discípulos por este País a fora. Pessoas simples, muitas delas, mas que tomaram gosto pela oração, pelo desejo de uma vida mais profunda com Deus e busca de avivamento do Seu povo no Brasil. Quantos pastores e líderes nas suas igrejas foram despertados ao ouvi-la, ao ler seus livros e folhetos de poder. E passaram a buscar a face do Senhor.

“Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar... então eu ouvirei dos céus...”

E o Senhor ouviu mesmo. No Seu tempo, levantou, inicialmente, um profeta d’Ele, que se encontrava na “brecha”, servindo-o na Igreja Batista em Vitória da Conquista–BA. Quebrantou-O, revestiu-O com o poder do Seu Espírito e pôs-lhe no coração a mensagem de um Despertamento Espiritual do povo d’Ele na Pátria Brasileira.

É assim que Ele age: chama, quebranta e reveste com o poder do Seu Espírito para o cumprimento da MISSÃO que lhe é outorgada. E a voz desse profeta – José Rego do Nascimento, ecoou por este País a fora, empunhando a Bandeira de uma Renovação Espiritual do Seu povo.

E voz, no poder do Espírito, é ouvida. Servos de Deus, outros, foram se levantando, quebrantando-se, sendo cheios do Seu Espírito; e, também, proclamando a mensagem de avivamento do povo de Deus em nossa Terra.

Os embates não foram poucos nem pequenos; para os momentos certos, o Senhor levanta as pessoas certas. Aproximava-se o momento de Moisés passar o bastão a Josué. O Pr. Enéas Tognini não veio por acaso. O Senhor o chama, quebranta-o e o batiza com o Seu Espírito, tirando-o do pastorado da Igreja Batista de Perdizes e da direção do Colégio Batista da Capital paulistana, a fim de usá-lo poderosamente na Obra de Renovação Espiritual.

E a voz desse destemido e competente homem de Deus percorreu os quatro cantos deste País gigante, dando continuidade à pregação da Mensagem de Renovação.

Um Exército se Forma

Agora, era Rego e Tognini – o Movimento ganha força maior. Pelo País, vão despontando-se servos de Deus outros e engrossando as fileiras de Renovação. Dentre tantos pastores, vamos lembrar os nomes de: Ilton Quadros Cordeiro, Achilles Barbosa, Israel Afonso de Sousa, Tito Éler de Matos, os irmãos Maia – Álvaro, Munelar e Benjamim, Francisco Ambrósio, Saulo Garcia, José Simões, Achilles Barbosa Júnior, Edivaldo Fernandes, Edson Nascimento, Rosivaldo Araújo, Elias Brito Sobrinho, René Feitosa, Darci G. Reis, Dalson Pinto, Samuel Chagas, Wilson Régis, Joel Ferreira, Airton Santos Sales, Antônio Barbosa Lima, Samuel Espíndola, Estevam Christian, Jacob Miguel Klawa, Gerson Vilas Boas, Oséas Barbosa Lima, os irmãos Sinval e Gidalfo Figueira, Artur Freire, Ageu Bandeira, Marivaldo França, outros e outros...

Tem sido assim na História do Cristianismo. Em momentos especiais, o Senhor levanta servos dEle no poder do Espírito; e aviva a sua Igreja. “Avivamento é obra do Espírito; e surgirá sempre até a volta do Senhor...”

Renovação Espiritual tornou-se um fenômeno de caráter nacional — a doce maravilha que tantos, por ela, esperavam: — o fenômeno do avivamento; o burburinhar águas paradas pela inércia e comodismo, então reinantes nos arraiais evangélicos, mormente, dos Batistas, Metodistas e Presbiterianos. Vida, alegria para quem o buscava; porém, motivo de preocupação e resistência para aqueles que preferiam as coisas como estavam – os que temiam o operar vigoroso e dinâmico do Espírito.

Espírito de Intolerância

E estes, com armas humanas e não espirituais, reagiram – invertendo a recomendação bíblica: Por força e violência, e não pelo meu Espírito. E, assim, agiram, invertendo também, aquele sábio e prudente comportamento dos irmãos de Bereia – nada de exame, e, sim, combate. Razão pela qual, deixaram-se dominar pelo espírito de intolerância, excluindo irmãos de igrejas, e igrejas de convenções.

As igrejas excluídas — expulsas, como enfaticamente diziam, foram-se unindo e formando convenções. A primeira, a se formar, foi a Convenção Batista do Estado de Minas Gerais, em 1961, logo após a exclusão da Igreja Batista da Lagoinha, na Assembleia da Convenção Batista Mineira em Juiz de Fora.

Esta nova Convenção Estadual, formada pelas igrejas que não concordaram com a exclusão da Igreja Batista da Lagoinha e optaram pelo Movimento de Renovação, funcionou bem por dois anos. Suas atividades foram interrompidas para dar lugar a AME (Ação Missionária Evangélica). Esta, a nível nacional; e que, posteriormente, foi substituída pela CBN – Convenção Batista Nacional.

Crescimento Vertiginoso

A Obra crescia rápido – em número de igrejas e estas de membros. Dois fatores de crescimento eram facilmente notados. Um não era o desejado, o normal; mas, ditado pelas circunstâncias – em decorrência da intolerância dos que combatiam Renovação; o outro, sim, o natural e desejado crescimento do povo de Deus.

Irmãos de igrejas diversas, espalhadas pelo País, que iam aceitando a mensagem bíblica de Renovação Espiritual, quanto ao operar do Espírito na vida dos que almejavam testemunhar a fé cristã com poder e graça, não mais encontrando ambiente em suas igrejas, procuravam as Igrejas de Renovação ou tomavam direções outras no meio evangélico.

Muitos irmãos, e até igrejas inteiras, foram convidados a se retirar ; e, às vezes, excluídos, automaticamente, por confessarem-se favoráveis ao modo de aceitar a doutrina do Espírito Santo, conforme os Batistas de Renovação. Tais irmãos e igrejas, então, procuravam abrigo em nossas igrejas.

O segundo e real fator de crescimento, era resultante do calor evangelístico. O povo orava — buscava a face do Senhor. E, portanto, 2 Crônicas 7.14, de certa forma, era realidade para o povo renovado. Tema, inclusive, de mensagens dos pastores; do Pr. Enéas, principalmente, que chegou a publicar seu livro – “II Crônicas 7.14”. Foi tema de muita inspiração para aqueles dias; dias que não devem, nem podem ficar apenas nas saudades.

E, porque o povo orava, e buscava a face do Senhor, havia calor evangelístico, e as igrejas cresciam. Havia arrependimento, confissões de pecados, e decisões abundantes. Pensando em tudo isto agora, e na conjuntura atual, voltamos a sonhar novamente com avivamento, vivenciar um novo “Fenômeno de Avivamento”, para que tudo aconteça de novo. De novo tudo aconteça...

Medidas humanas, sem o mover do Espírito, por mais justas e necessárias que nos pareçam, geram, muitas vezes, resultados inversos dos desejados. É tempo de levar o povo a buscar o Senhor. Sonhar e orar; esperar orando a solução que produz unidade, vida – AVIVAMENTO.

Os Encontros de Renovação

Foram eventos altamente significativos para a conscientização, integração, aceleramento e consolidação do “Movimento de Renovação Espiritual” – futura “Obra Batista Nacional”. Sobretudo, o papel de esclarecimento doutrinário, conscientização e os efeitos positivos da comunhão, dos momentos graciosos da manifestação do poder de Deus na vida de tantos participantes; principalmente, naquele I Encontro em Belo Horizonte.

O “Movimento de Renovação Espiritual”, como foi denominado na época, nada mais era que a manifestação do “Fenômeno Avivamento” em curso. E, como tal, sem fronteiras denominacionais. O que ocorria entre os batistas, semelhantemente, acontecia entre presbiterianos, metodistas e evangélicos outros. Transcrevo aqui, três pequenos trechos do testemunho que o irmão Genildo Cabral da Silva, do Rio de Janeiro, nos enviou e que confirma o que tantos de nós, também, presenciamos:

“Observei, também, que participavam daqueles momentos inesquecíveis, pessoas de quase todas denominações, inclusive de algumas igrejas pentecostais. Todos buscavam a mesma coisa: um avivamento espiritual...”

“Assim sendo, as lideranças de várias igrejas, incluindo as três grandes denominações: Batistas, Presbiterianas, Metodistas, além de outras menores, perceberam que algo precisaria ser feito e surgiu um novo clamor sob uma mensagem nova – um Avivamento Espiritual (Hc 3.2: “...aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos...”)

“Logo, surgiram grupos de orações dentro das igrejas, buscando o que, para muitos, não se coadunava com as tradições daquelas igrejas: o batismo com o Espírito Santo. A palavra de ordem era para que aqueles crentes ficassem dentro das suas igrejas e evitassem divisões. Continuassem orando com humildade e deixassem que o Espírito Santo fizesse a Obra, a fim de que um número, cada vez maior, entendesse a Mensagem que logo depois denominou-se “Renovação Espiritual”.

AME – Ação Missionária Evangélica

Esses primeiros “Encontros” favoreceram a criação da AME – não exclusivamente batista. Ficou provado, como óbvio é, que reuniões, encontros, congressos de caráter puramente inspirativo ou de congraçamento funcionam e fazem falta. Todavia, quando envolvem princípios, identidades eclesiológicas diferentes, mal funcionam e geram turbulências. A AME foi uma ideia bem intencionada, mas impraticável. Durou pouco e foi substituída, dois anos depois, pela CBN. A criação da AME se deu, após a Assembleia Convencional de Niterói, em 1965; quando a Igreja Batista da Lagoinha e algumas de Estados diversos foram desligadas CBB.

As Convenções

O avanço rápido da Obra e penetração dela por todo o País, passou a exigir liderança sábia, segura, organização e melhor estruturamento; sobretudo, a nível nacional; pois a AME não correspondeu aos anseios e muito menos se adequou à vivência batista.

Foi oportuna e bastante significativa a participação de um homem prático e vivido, como o Pastor Ilton Quadros Cordeiro, na criação da CBN e estruturação da Obra Batista Nacional. Daí, alguns o terem denominado de pai da CBN – Convenção Batista Nacional. Não foi fácil para ele, naquele momento tumultuado e cheio de controvérsias quanto a criação de uma Convenção, pois de uma, muitos foram cortados.

Obviamente, não estava sozinho; contou com o apoio e ajuda de pastores pioneiros como: Rosivaldo Araújo, Gerson Vilas Boas, Enéas Tognini, Darci Guilherme Reis, Israel Afonso de Sousa, Joel Ferreira, René Pereira Feitosa, Elias Brito Sobrinho, Dalson Pinto Teixeira, Nivaldo Ferreira da Silva, Benjamim Maia, Antônio Barbosa Lima, Eclésio Menezes e diversos outros. Também de leigos como Sinval Figueira, Dra. Naim de Abreu e Silva Leite, Major Silas Rocha, Tenente Marino Freire, Eugênio Dornas, Dra. Ana de Brito Vilela e muitos outros, por este País a fora.

Nasce a Convenção Batista Nacional – CBN

E nasceu para ficar. A primeira Assembleia ocorreu em setembro de 1967, na Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte. O orador oficial desse evento foi o Pr. Dalson Pinto Teixeira, da Igreja Batista Central de Petrópolis; e a primeira diretoria eleita foi a seguinte:

Presidente: Pr. Elias Brito Sobrinho
1º Vice-Presidente: Pr. Joel Ferreira
2º Vice-Presidente: Pr. Rosivaldo Araújo

1º Secretário: Pr. Nivaldo Ferreira da Silva
2º Secretário: Pr. Dalson Pinto Teixeira.

A Obra Batista Nacional crescia e se espalhava pelo território nacional, carecendo de maior apoio e assistência da direção geral da CBN – missão praticamente impossível. Daí, a necessidade de se criar convenções regionais – descentralizar para dinamizar a obra e melhorar a assistência às igrejas. E foi o que aconteceu ao longo do tempo.

O Pastor Rosivaldo Araújo exerceu papel bastante significativo neste sentido. Na Secretaria Geral da CBN, incentivou os campos estaduais a se organizarem em Convenções. A primeira a ressurgir foi a de Minas; depois foram surgindo as demais: Convenção Batista Missionária do Nordeste, e assim, sucessivamente. Cada qual, exercendo o seu papel de liderança e administração da obra regional, sempre em consonância com a Nacional – a CBN.

Hoje, as CBNs estaduais estão presentes em, praticamente, todos os Estados da Federação. E algumas, descentralizadas em subsecretarias regionais, a fim de oferecerem maior e melhor assistência às igrejas das respectivas regiões de cada Estado.

A relação das diretorias da CBN, nestes quarenta anos, consta no final deste livro. Para o leitor desatento à Nossa História, é desinteressante; mas, não para os leitores interessados em conhecer os fatos, o seu desenrolar no tempo, suas consequências e quem Deus usou nestes momentos históricos – os servos d’Ele que na “brecha” estavam.

Obra Missionária

O espírito missionário é evidência de vida despertada espiritualmente. O coração abrasado palpita, manifesta-se em palavras e atos, torna-se luz do mundo. Por onde passa, espalha a semente, preocupa-se com o seu germinar, o seu crescer e frutificar. Foi assim nas primeiras décadas de “Renovação”. Era o fenômeno pós-Pentecoste se repetindo.

O fervor evangelístico foi a razão primeira do grandioso crescimento da Obra de Renovação. Uma igreja avivada é uma igreja missionária. Já nos primeiros anos de caminhada, via-se, a CBN, em dificuldade, em face de pessoas várias desejando partir para os campos missionários. E não foram pequenas as aflições dos pastores Ilton Quadros Cordeiro, Rosivaldo Araújo e Gerson Vilas Boas. Aflições, porque a Jovem CBN, ainda não tinha condições, mormente financeiras, de assumir tantos nobres e justos compromissos.

Limitou-se, por alguns anos, a reconhecer e apoiar, com alguma ajuda financeira, missionários que, espontaneamente, partiam para lugares diversos do País. Alguns com recursos próprios, não dependendo da Convenção. E as sementes lançadas por onde passaram, ao longo dos anos, foram brotando e crescendo viçosas. Hoje, são igrejas que se tornaram mães de outras; já possuindo netas e bisnetas; e, às centenas, estão espalhadas por este Brasil a fora, e algumas por partes outras do Mundo.

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Os pastores Enéas Tognini e Daniel Leite
na Assembleeia Geral dos 30 anos da CBN.

Dentre outros que, espontaneamente, fizeram missões, alargando as fronteiras de Renovação e deixaram rastros luminosos de suas passagens, vamos lembrar os nomes de alguns:

Pr. Oséas Barbosa Lima e sua esposa Estelina Ataíde Lima – fizeram missões e plantaram igrejas: Rio G. Do Norte, Maranhão, Piauí e lugares outros da Amazônia. Ambos professores, formados em direito e Ele, também, em filosofia.

Daniel Leite Fonseca – norte de Minas, onde plantou algumas igrejas e deixou as bases de outras que vieram a se organizar. Uma delas – a Igreja Batista na fazenda Santo Antônio, hoje um povoado, então pastoreada também por ele, tornou-se mãe de 5 igrejas e avó de outras.

Darci Guilherme Reis – presença constante em momentos importantes, lugares e funções diversas da Obra Batista Nacional ; e, da mesma forma, Rosivaldo Araújo, Elias Brito Sobrinho, Gerson Vilas Boas, Jonas Neves, Ronald Carvalho, cujas presenças e atuação, principalmente na ALBAMA, marcaram indelevelmente a obra de missões nacionais da CBN.

E para não ser longo, pois não é propósito deste capítulo, passamos a mencionar nomes que, também, brilharam e alguns ainda brilham na constelação da Obra Missionária Batista Nacional:

Ageu Silva Bandeira, Jaconias Lisboa, Arnoldo Alves Rodrigues, Luis Gonzaga Sobrinho, Marivaldo França, Paulo Roberto, Isaías Gomes, Élio Lemos, Leonardo de Jesus, Pastores Batalha e Euzimar – de Manaus, Sebastião Santana, Gidalfo Figueira, Sinval Figueira, Joel Ferreira, Antônio Acácio de Moraes. Bem como as nossas queridas missionárias, Iracema Ferreira Povo Apalai (Pará), Josinete O. Barbosa Povo Apalai, Vera Lúcia Rocha Amazonas e Moçambique, Janúsia Cardoso de Souza Amazonas e Moçambique, dentre outras.

ALBAMA

Tocado pelo Espírito, o Pastor Rosivaldo Araújo deixou o Recife, onde realizava grande e importante obra: Sec. Executivo da Conv. Batista Missionária do Nordeste, Reitoria do STEN, programa radiofônico de grande alcance no Nordeste, pastorado da Igreja Batista Largo da Paz e compromissos regionais diversos outros. E, guiado pelo Espírito, chegou à Capital do Pará com sua esposa e filhos.

Ali chegando, assume o pastorado da jovem Igreja Batista Missionária da Amazônia, única Igreja Renovada em toda a região do Pará e Maranhão; e que fora organizada seis meses antes pelo Pr. Elias Brito Sobrinho, de Brasília.

Aquela jovem e ainda pequena igreja, mas arrojada e visionária, recebia naquele momento, o líder adequado e seu primeiro pastor. E que não chegou ali por acaso. Já o aguardavam irmãos não menos visionários e empreendedores como os irmãos Figueira.

Logo, abriu o programa “O Alvorecer da Esperança” na Rádio Clube do Pará, com audiência também no Maranhão.

E, com aquela igreja que crescia rapidamente e saltitava de contentamento no expandir o Reino de Deus na Amazônia, Rosivaldo rompia fronteiras, alargando as tendas de renovação pelas distantes povoações amazônicas: Paragominas, Vila Rondom, São Luís e cidades do Pará e Maranhão.

E mais uma vez, aparece o dinâmico e atento pastor Darcy Guilherme Reis, sua esposa Normândia e filhos. Em Belém, assume a capelania do Exército, “através da qual, realizou um importante trabalho de visitação à muitas cidades e vilarejos do interior da Amazônia”, diz o Pr. Rosivaldo. Além do mais, tornou-se colaborador eficiente e dedicado, como sempre o foi, no pastorado daquela operosa Igreja.

Para o Maranhão, fora o brilhante casal Oséas Barbosa Lima e Estelina Ataíde Lima, onde abriram um trabalho de Renovação e o filiaram à Igreja Batista Missionária da Amazônia. Relata o Pr. Rosivaldo:

“Sentimos que já era tempo de visitar também o Maranhão, onde se encontrava o pastor Oséas Barbosa Lima e sua esposa Estelina; ambos advogados e educadores, que haviam aberto um colégio no bairro Anil.

O Pr. Oséas resolveu, então, abrir um pequeno trabalho de Renovação Espiritual que se filiou à nossa Igreja em Belém. Procuramos dar todo apoio ao Pr. Oséas, visitando-o sempre, e organizando caravanas de irmãos que, vez por outra, vinham conosco para ajudar no novo trabalho; até que um dia, decidimos, junto com o Pr. Oséas, realizar um Encontro de Renovação Espiritual em São Luís.

Vieram pessoas de João Pessoa na Paraíba, trazidas pela profa. Lídia, pessoas de Fortaleza, lideradas por D. Ariudes e alguns irmãos do interior compareceram. Foi um mini encontro; mas, a maior caravana foi da nossa Igreja em Belém. Assim, os nossos laços de cooperação foram se acentuando e esse trabalho floresceu sob a liderança do Pr. Oséas e sua esposa. Hoje, o Maranhão está cheio de igrejas da CBN.”

Ainda com a palavra, o Pastor Rosivaldo:

“Certa feita, fomos convidados pelo Major da Aeronáutica – Marivaldo França, para visitar sua pequena congregação começada em sua casa em Manaus. Manaus, a essa altura, já possuía várias igrejas batistas em Renovação Espiritual – trabalho pioneiro do Pastor Ageu Bandeira.

Falamos em algumas dessas igrejas e conhecemos vários pastores e obreiros de nossa denominação que militavam, também no interior do Amazonas. Entre eles: Paulo Roberto – de Itaquatiara, Isaías Gomes, Élio Lemos, Leonardo de Jesus, missionários Alcides, Joaquim e outros. “

Com esses pastores e levado por eles, Rosivaldo visitou: Itaquatiara — boa cidade daquela vasta região; depois, de lancha pelo Rio Amazonas chegaram a Urucurituba, onde numa tarde, nas águas barrentas do Amazonas, batizou umas 15 pessoas, cuja plateia, além dos irmãos da redondeza que compareceram, um semicírculo de barcos que, ao passar, foram se formando – uma cena inesquecível.

De volta a Belém, ao narrar, na Igreja, a viagem e os fatos ocorridos, e ainda da “disposição daqueles obreiros, que ali trabalhavam sem nenhum salário”, estava presente a Dona Elita Figueira que morava em Vitória da Conquista. Algum tempo depois, o Pr. Rosivaldo recebeu dela expressiva importância destinada àqueles obreiros.

E foi, a partir da disposição de ofertar daquela irmã, que Rosivaldo sentiu que poderíamos fazer mais. Em Manaus, onde se encontraram, num culto de gratidão a Deus e entrega aos obreiros aquela oferta, diz Rosivaldo: “Ali, juntos, enquanto orávamos a Deus, senti o desejo de fazer-lhes uma proposta: criarmos uma entidade que pudesse divulgar pelo Brasil a situação da evangelização na Amazônia e seus desafios; pois pensava comigo mesmo, se a irmã Elita se dispôs a contribuir, porque ouviu um relato dos fatos que presenciamos, outros também, se ouvissem, contribuiriam.

Então, naquela mesma reunião, marcamos um encontro para Belém, dentro de 50 dias. Os obreiros do interior disseram que seria muito difícil e dispendioso, eles irem a Belém que ficava a 2.000 Km de distância; então, lhes prometi: “Eu não tenho como pagar a passagem de todos vocês; mas, prometo uma coisa, aos que chegarem lá, daremos as passagens de volta (barco ou navio)”.

E, naquele mesmo dia, escolhemos o nome – “Aliança Batista Missionária da Amazônia” e voltamos para Belém, a fim de preparar o projeto e a grande festa do seu lançamento, bem como a hospedagem dos obreiros. Quando apresentamos o projeto à Igreja Batista Missionária da Amazônia, todos o aprovaram de bom grado e com muito entusiasmo.

A ALBAMA Passa a Ser Uma Realidade

Em 26 de julho de 1976, estávamos realizando a primeira assembleia da Aliança Batista Missionária da Amazônia – ALBAMA, no templo da Igreja Batista Missionária da Amazônia. Convidamos para ser o orador da cerimônia o Pr. Ageu Bandeira, pioneiro do Movimento Batista de Renovação Espiritual em Manaus.

Estavam presentes, também, a Profa. Lídia Almeida do Betel Brasileiro, nossa companheira de lutas, o Darcy Guilherme Reis, Paulo Roberto de Itaquatiara, Pr. Batalha de Manaus, Pr. Euzimar também de Manaus, Pr. Marivaldo França, Oséas Barbosa Lima do Maranhão e os demais obreiros do interior do Amazonas; entre eles, Élio Lemos e Isaías Gomes.

Foi uma noite memorável, tanto a família Figueira como a família Toledo, estavam lá em peso e todos os demais irmãos da Igreja e de outras igrejas evangélicas. Terminamos aquele primeiro congresso cantando — “Obra Santa, ninguém detém”. E a oferta levantada durante o canto de “Obra Santa”, foi alcançada e, ainda, sobrou recursos para pagarmos as passagens de todos os obreiros que vieram pela fé a Belém.”

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Pr. Rosivaldo sendo cumprimentado pelas irmãs
Ruth Meira Lima e Alcione Brito

Segundo o Pr. Rosivaldo, a ALBAMA foi criada principalmente para apoiar os obreiros que militavam no interior da Amazônia; sobretudo, financeiramente. Mas também, recursos outros de que precisavam como: motores para canoas, pequenas embarcações, material de pesca etc. Nunca foi propósito da ALBAMA substituir uma convenção, diz ele, mas ajudá-la na manutenção e aumento dos obreiros. Seria sempre uma forma de motivar e levantar recursos para as próprias convenções futuras que fatalmente seriam criadas.

A ALBAMA caiu na graça dos batistas nacionais. Teve colaboradores diversos de Norte a Sul, inclusive de outras denominações. Foram secretários executivos da ALBAMA, depois de Rosivaldo: José Carlos Pezotti, Gidalfo Figueira, Jaconias Lisboa, Jonas Neves e Ronald Carvalho.

A ALBAMA durou 10 anos, foi incorporada à CBN e, depois, extinta, com a criação das convenções estaduais na Amazônia, que foram se formando paulatinamente. Tinha sede em Belém, mas jurisdição em toda a Amazônia legal, abrangendo o Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas – Estados e Territórios do Norte.

JAMI – Junta Administrativa de Missões

A missão da JAMI é a missão primeira da Igreja. Ela é o braço estendido da Igreja no semear a Palavra pelos confins da terra. É a própria Igreja fazendo missões através dela. Não veio para substituir a Igreja, mas como meio da Igreja ir e chegar aonde não pode chegar e ir.

Ela “é a Junta de Missões da CBN, fundada em janeiro de 1995. Organização religiosa, missionária, filantrópica, sem fins lucrativos, com sede em Belo Horizonte/MG. Sua finalidade é coordenar, administrar, promover e apoiar a visão missionária das Igrejas Batistas Nacionais na evangelização – sobretudo transcultural, tendo em vista a expansão do Reino de Deus.”

Por se tratar de assunto de relevância para as Igrejas, dedicamos-lhe capítulo especial, neste livro, preparado por Ronald Carvalho, Cecília Carvalho e Mary Cleuza da Silva. É importante que as lideranças das igrejas tomem conhecimento desta matéria no capítulo XVIII.

Neste capítulo, o leitor encontra as informações de que a Igreja precisa para se conduzir na área de missões: origem da JAMI, serviço prestado e a prestar, alcance, relação de seus dirigentes por períodos, suas publicações informativas, manual, CETRAMI, parcerias etc.

Acho, mesmo, que, o pastor ou o líder responsável pela área de missões e evangelismo da igreja, o recomendasse e o usasse como base de estudos sobre missões. As Igrejas Batistas Nacionais precisam conhecer mais sobre a nossa Obra Missionária. Basta contar a história do que está sendo feito, para que o Espírito toque nos corações. Como tocou no coração da irmã Elita Figueira, ao ouvir do Pr. Rosivaldo, a narração da viagem ao interiorão da Amazônia, e constatação da vida de sacrifício e muito amor à Obra daqueles obreiros denodados.

Texto extraído do livro História dos Batistas Nacionais.