E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família. Lv 25.10
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Mentores Segundo o Coração de Deus

"É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade" (Eclesiastes 4.9,12).


O que é mentorear? A palavra mentorear vem da mitologia grega. Mentor era o nome de um conselheiro sábio e fiel de Ulisses. Quando Ulisses saiu para uma longa viagem, confiou o ensino de seu filho Telêmaco a seu conselheiro, mentor. Por meio dos conselhos de mentor, o filho de Ulisses tornou-se um grande líder. Mentorear descreve alguém que está num relacionamento com outra pessoa. Este relacionamento pode ser formal, informal, intenso ou ocasional. Dr. Robert Clinton definiu mentoreamento como uma "experiência relacional na qual uma pessoa capacita outra compartilhando os recursos dados por Deus".

Mentorear não é discipular, embora inclua discipulado. A principal diferença é o foco dos dois termos. O discipulado é um relacionamento mais restrito que envolve um relacionamento intencional, formal e constante com alguém. Por outro lado, mentorear, é uma expressão mais ampla que vai além do discipulado.

Uma pesquisa feita pelo MAPI – Ministério de Apoio a Pastores e Igrejas, com 55 pastores de nove estados, representando 34 denominações: 38% históricas; 26% renovadas e 36% pentecostais apresentou os seguintes resultados:

  • 24% não supervisionam ou cuidam de seus pastores;
  • 29% cuidam de até 10 pastores;
  • 33% cuidam de 11 a 100 pastores;
  • 14% cuidam de 100 ou mais.

Quase todos os pesquisados (85%) sentem a necessidade de um mentor ou pastor em suas vidas e ministério. Dois terços (67%) têm um mentor e a grande maioria destes pastores está contente ou muito contente.

As três maiores dificuldades para experimentarem um pastoreio ou mentoria em suas vidas foram: a) A falta de tempo ligado à tirania do urgente; b) Ativismo eclesiástico; c) Dificuldade de confiar em outros colegas.

Três problemas destacados pela maioria: a) Falta de motivação ou visão; b) Não entender como a mentoria funciona; c) Dificuldade de encontrar um mentor.

"Deus nos deu fardos, mas também nos deu ombros."
Ditado Lídiche.


Uilian Santos, na Revista Eclésia 118, refere-se ao aparecimento cada vez mais frequente de doenças emocionais em pastores e líderes evangélicos. Principais causas deste fenômeno pós- moderno:
- Descuido com a saúde mental;
- Solidão;
- Falta de mentores para compartilhar seus problemas;
- Ativismo ministerial;
- Falta de repouso adequado;
- Pressão institucional por resultados em números de membros e arrecadação de ofertas.


É necessário entendermos que a vida ministerial, pessoal e familiar de um pastor é diferente da vida dos membros de uma igreja e diante disso não se deve desprezar o valor de ter outra pessoa monitorando sua jornada espiritual, ministerial e familiar. Existe um provérbio russo que diz: "O olho não pode ver o olho". Ao reservar tempo para se encontrar ou manter contato com o seu mentor, voce terá a ajuda que tanto precisa em momentos de crises. Fazendo isto, o pastor se sentirá mais fortalecido na sua caminhada ministerial.


Para exemplificar a importância da mentoria na vida de um líder e como pode levá-lo a ter êxito em sua jornada, observemos a vida de Paulo conforme registro de Atos 22.3 que mostra claramente quem foi um dos maiores mentores de Paulo. Em Atos 22.3, Paulo afirma: "Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade [Jerusalém]. Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos antepassados, sendo tão zeloso por Deus quanto qualquer de vocês hoje". Essa afirmação sugere que Paulo foi para Jerusalém tão-logo atingiu idade suficiente para ser instruído pelo rabi mais honrado e famoso do primeiro século, o qual possivelmente foi neto de Hillel. Como o próprio Hillel, tradicionalmente alistado entre os "cabeças das escolas", Gamaliel possuía uma visão equilibrada. Sua sabedoria singular e seu discernimento se destacaram ao proteger os apóstolos do Sinédrio, que desejava matá-los (At 5.33-40). Nesse momento, Deus separou outro mentor para Paulo. Seu nome era José, mais conhecido no entanto pelo apelido de Barnabé.


Poderia aqui enumerar vários exemplos bíblicos de mentoria que ajudava os líderes na sua formação e no exercício do seu ministério. Mas o que desejo mesmo é desafiar cada pastor a buscar envolver-se com o pastoreio de pastores em suas mais diversas formas que são apresentadas pela nossa Ordem. Não fique sozinho achando que é um super-homem, mas busque em Deus um mentor que possa lhe ajudar na sua caminhada ministerial, familiar e pessoal.


No amor de Cristo, desejo a todos os pastores, família e líderes um fim de ano com ricas bênçãos dos céus e um ano novo repleto de muitas realizações na vida pessoal, familiar e ministerial.

Seu conservo,


prmarcoaurelio

 

 Pr. Marco Aurélio de Oliveira

E-mail: marcosvip.pr@gmail.com
Igreja Batista Vida e Paz, Vila Velha/ES