E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família. Lv 25.10

O Resgate do Voluntariado

O questionamento do autor de Eclesiastes se mostra atual para todos os que estão cansados de correr atrás do vento. O trabalho é uma das formas de o ser humano encontrar o sentido existencial, cumprindo o mandato que recebeu do Criador. O lucro do trabalho não é apenas o retorno financeiro. E quem o faz apenas pelo dinheiro tem uma vida fútil e vazia. A lei brasileira, que dispõe sobre o serviço voluntário, o define como atividade não remunerada. Mesmo assim pode ser extremamente gratificante e carregado de sentidos.

Em nossas igrejas, contamos com um time de voluntários atuantes em diversas áreas. No geral, é um pequeno time de futebol jogando para milhares de espectadores. Apesar de herdeiras da reforma protestante e da doutrina do Sacerdócio Universal, nossas igrejas são compostas por dois grupos distintos: O primeiro, formado por cristãos-servos, exercita no corpo os dons que recebeu de Deus; o segundo, formado por cristãos-clientes, é consumidor passivo dos programas da igreja local. Infelizmente, o último costuma ser a maioria. Tal realidade se fortalece pela tendência de profissionalização dos agentes da fé. A igreja passa a contar, exclusivamente com o trabalho eclesiástico de um grupo de profissionais, contratados e remunerados com os dízimos e ofertas da congregação. A crítica não é ao fato de assalariar quem, de forma honrosa, se dedica integralmente ao ministério. O equívoco reside em incentivar a terceirização da responsabilidade pessoal do crente. Mesmo os cristãos dizimistas e ofertantes, de forma generosa, podem encontrar, também, espaço para servir com seus dons e habilidades.

Desconsiderar a perspectiva do serviço voluntário é negar a essência do Corpo de Cristo. Não seremos uma igreja saudável se pastores, líderes e mestres, no lugar de preparar os santos para a obra do ministério, optarem por desempenhar um sacerdócio solitário para uma congregação repleta de espectadores. Trabalhar com voluntários é como montar um quebra-cabeça, pois é necessário ajudar as pessoas a descobrirem seus dons e a encontrar o seu lugar no Corpo. Alguns voluntários optam por servir na igreja, usando as habilidades profissionais, aprimoradas no mercado de trabalho; outros, entretanto, não desejam repetir o trabalho secular no exercício voluntário. Cabe ao líder abrir o leque de oportunidades para o serviço, dentro e fora da igreja, permitindo que os cristãos experimentem os diversos ministérios, até que, com a ajuda do Espírito Santo, descubram um lugar apropriado para servir com paixão, usando os próprios dons, interesses e habilidades.

Desafie, treine e coopere com aqueles que desejam ser voluntários no serviço do Reino de Deus.

pr elcimar

 

 

Pr. Elcimar Fernandes
Coordenador da SEDELIM (Secretaria de Desenvolvimento de Lideranças e Ministérios)
Email: sedelim@cbn.org.br