E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família. Lv 25.10
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Igrejas e pastores sem ética ministerial

Este artigo, necessariamente, não reflete o pensamento da CBN.

Há muitos anos enquanto liderava uma equipa missionária no sudeste asiático recebemos alguns missionários novos que chegaram com todo aquele entusiasmo natural dos missionários recém chegados e ao mesmo tempo nós que ali estávamos já há algum tempo também éramos contagiados por este entusiasmo. No entanto, um mês após a chegada destes irmãos, um deles teve seu sustento abruptamente cortado por sua igreja, pois um outro pastor havia passado naquela igreja e a convenceu de simplesmente repassar para seu projeto a ajuda missionária que era destina ao novel missionário, agora abandonado no campo. No desejo de ajudar, telefonei ao pastor da igreja que me ouviu em silêncio e simplesmente me disse ao final: "O que está feito, está feito!" Dando-me a impressão de um pastor e igreja irresponsáveis e sem ética ministerial.

Numa outra ocasião, quando fazia parte de uma comissão que coordenava um determinado ministério, sendo eu na ocasião uma das figuras principais naquele movimento, fui procurado por um pastor que desejoso de pertencer a tal comissão ofereceu um determinado valor mensal para o ministério se eu o ajudasse a entrar na coordenação daquele trabalho.

Quando cheguei a Europa para trabalhar, há quase doze anos, ainda mantinha alguns vínculos ministeriais com a Ásia, coisa que fui deixando aos poucos, foi quando um pastor que viu o resultado do nosso trabalho na Ásia me fez a proposta de me desligar da minha igreja enviadora no Brasil, e então eu poderia escolher o país onde morar na Europa e sua igreja assumiria todas as minhas despesas com o acréscimo de outros benefícios desde que eu trabalhasse somente para eles.

Eu poderia continuar aqui contando histórias como estas e outras que revelam o caráter deformado de pastores e igrejas. Se há algo pelo qual um pastor e igreja devem prezar é pela sua ética ministerial. Mas é impressionante a falta desta no meio protestante. A ética tem relação direta com o nosso caráter cristão e revela se estamos de fato seguindo a Cristo, servindo na sua causa ou se servimo-nos a nós mesmos e os nossos interesses.

A Bíblia está repleta de histórias e advertências sobre a nossa responsabilidade de manter nossa ética ministerial como igreja e pastores sem mácula. Mas citarei apenas um verso: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!" (1 Co 11:1). Uma igreja ou pastor que buscar ser um imitador de Cristo desenvolverá uma postura ética acima de qualquer acusação. No entanto, não é isto o que vemos, em todo lado, há sempre alguém preparado para causar escândalo desde que possa tirar alguma vantagem.

Mas entre todos os sem éticas, imorais e vergonhosos os que mais me impressionam são aqueles que agem na surdina, na calada da noite, que sem piedade ao ministério de outro age de maneira a tirar vantagens de alguma forma. Como aqueles que vestidos de uma capa de falsa piedade e falsos camaradas de jugo, utilizam-se de oportunidades para pescar no aquário alheio, roubando com palavras doces as ovelhas de outro. Que acolhe aqueles que levados por satanás buscam denegrir a imagem de homens honestos e com eles compactuam, comem na mesma mesa e juntos tramam a perversidade.

Confesso que este texto é um desabafo, muito mais que um texto para instrução geral, pois já estou cansado de lidar com este tipo de pastores e igrejas. Homens sem piedade, sem ética, sem sentido de respeito e cooperação que buscam de toda forma engordar seus rebanhos as custas do trabalho de outro. Tolos, pensam que por agirem nas trevas ninguém os vê, mas se esquecem que Deus é luz e nele não há trevas alguma. Nos encontros pastorais se esquivam, protagonizam pressa, andam pelos cantos, chegam depois e saem antes para não serem confrontados, na esperança de que sua atitude caia no esquecimento. Miseráveis, esquecem que dão contas a Deus.

Que Deus nos livre destes pastores e destas igrejas, pois imitam muito mais a satanás do que a Cristo.

luis branco

Pr. Luis Alexandre Ribeiro Branco
Missionário da JAMI em Portugal